Brincadeiras de Criança

Muitos desconhecem, pois lhes fogem à época. Outros tantos já não se lembram, pois se perderam no tempo. Porém não poucos, embora a distância, ainda as guardem na lembrança: as brincadeiras de criança…
As enormes áreas eram testemunhas de muitas alegrias e as ruas proporcionavam não só o caminhar, mas também o brincar. Os grandes quintais eram concorridos, com todas as opções que ofereciam, e suas frondosas árvores eram fontes inesgotáveis de recursos, para o balanço, a casa, o esconderijo…
Locais para diversões não faltavam, proporcionando possibilidades para as mais diversas brincadeiras, como as de roda, a bandeirinha, a amarelinha, o pique e muitas outras…
Os pais não tinham lá tanta preocupação com o andar de bicicleta, de patinete ou de carrinho de rolimãs.
Mas os espaços tão amplos foram diminuindo. Os veículos tomaram conta das ruas e os grandes quintais cederam lugar aos mais variados tipos de imóveis.
Em paralelo, o setor tecnológico ampliou o seu negócio. A TV cada vez mais adentrou os lares, proporcionando um novo tipo de lazer. A comodidade oferecida encontrou apoio, ante a gradativa redução dos espaços.
E aquelas brincadeiras, tão sadias e colaboradoras ao desenvolvimento infantil, foram sendo deixadas de lado, esquecidas…
Surgem os jogos eletrônicos nas mais variadas formas. E assim lá se vão, muitas horas frente a esses estímulos audiovisuais.
Embora as vantagens por um lado, existem as desvantagens por outro, como a falta de contato com as coisas da natureza, como o sol e o ar puro, além do refúgio na individualidade e o favorecimento às disfunções metabólicas, como a obesidade e outras situações nocivas à saúde.
Energia artificial é necessária, inovações tecnológicas de lazer devem ser estendidas à infância, mas não se pode esquecer da força natural, da energia que nasce e cresce dentro de cada criança e que precisa ser libertada, desenvolvida…
Criança necessita de integração, socialização, movimentação e espaço, dar asas à sua imaginação. E para isso, nada melhor do que incentivar, proporcionar e preservar algo que lhe é tão peculiar e inerente, as suas próprias brincadeiras. Espontâneas, criativas, naturais, elas são elementos importantíssimos para um crescimento saudável e, consequentemente, uma vida mais feliz.

Geraldo Vieira de Magalhães
Psicólogo – CRP 08/06392
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