Vendavais da Vida

Procura-se por quem ainda não se molhou!… Seja garoa fina, forte chuva ou temporal, certamente as intempéries da vida já se fizeram presentes na vida de alguém.
O curso da existência humana é tal qual o tempo, ora firme e ensolarado, ora chuvoso ou nublado.
Muitas vezes confiável abrigo sucumbe repentinamente, sob forte tempestade. Outras vezes, sólidos castelos de ontem, desmoronam-se hoje, face a um vento mais forte. Árvores, outrora rígidas, quedam e jazem inertes, após uma tormenta.
O sopro dos ventos não encontra obstáculos, ante a imprudência. A força das ondas não se detém, ante a teimosia. A imperceptível maresia, que lentamente corrói, não encontra dificuldades para minar a estrutura interior. O estrondoso trovão abala as estruturas e os alicerces. O forte aguaceiro encontra brechas. Abala-se a casa por um lado e fragiliza-se o lar, por outro.
E assim, de tempos em tempos os ciclos da vida se mostram presentes, pois, apesar da experiência, constrói-se novamente na areia e não na rocha.
E tal qual o tempo, que muitas vezes se desestabiliza de repente, são as inesperadas situações que fogem ao controle… A perda do vestibular. A separação inevitável. A gravidez precoce da filha. O desemprego do filho. O acidente repentino. A doença antes não diagnosticada. A aposentadoria compulsória… E vai por aí. Entre tufões, furacões ou tempestades, alterna-se a estabilidade com a instabilidade.
Viver não é diferente. As oscilações são necessárias, fazem parte de um contexto. As marés se alternam, em baixa e alta. Após a chuva torrencial o ar fica mais leve, respira-se melhor. Após o rio voltar ao seu leito, as terras antes inundadas tornam-se mais férteis. Depois de vento mais forte, a árvore não consegue esconder as folhas amarelas, os galhos secos e os frutos inservíveis, espalhados ao seu redor. Mas é melhor para ela, pois revigora-se. O inverno congelante e muitas vezes sombrio, é uma preparação, para o verde brilhante e a renovação da primavera.
Constata-se então, existir sempre um porém, um entretanto ou todavia… Em meio à forte tormenta, os raios atingem mais rápido as rígidas e imponentes árvores, já o bambu protege-se como pode e retorna ao prumo, altivo e sorridente, por ter enfrentado e saído incólume da borrasca.
Sejamos, pois, maleáveis como este. Sejamos pacientes, persistentes e determinados nas adversidades, sabendo que desta forma enfrentaremos e sobreviveremos às não poucas e tão difíceis situações que encontramos na vida.
Estaremos assim preparados para enfrentar as tão inesperadas mudanças climáticas da existência, os tão temidos, porém inevitáveis, e muitas vezes necessários, vendavais da vida…

Geraldo Vieira de Magalhães
Psicólogo – CRP 08/06392
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